O câncer de rim é uma doença relativamente rara, se comparado a outros tipos de câncer muito mais comuns, como o câncer de mama ou o câncer de próstata. No entanto, são esperados mais de 6 mil casos todos os anos no Brasil. Embora vários fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de rim tenham sido identificados, o principal fator parece ser o envelhecimento, algo que não podemos evitar.

O subtipo mais comum de câncer de rim é o carcinoma de células claras. Não existe, até o momento, um exame capaz de detectar o câncer de rim quando ele não causa sintomas. Na maior parte das vezes o tumor é descoberto quando causa dor nas costas, ou sangramento na urina, por vezes pode até ser palpável pela barriga. Na minoria das vezes ele é encontrado por conta de um exame de imagem feito por algum outro motivo, como uma ultrassonografia ou tomografia do abdome.

Avanços importantes no tratamento do câncer de rim em 2015 – Nivolumab e Cabozantinib

Avanços importantes no tratamento do câncer de rim em 2015 – Nivolumab e Cabozantinib

 

Quando o tumor se encontra apenas no rim, o melhor tratamento é a cirurgia. Este procedimento pode ser feito tanto de maneira convencional, abrindo o abdome e retirando o tumor, quanto por vídeolaparoscopia, quando é feito por pequenos furos com a colocação de pinças e câmeras guiadas pelo cirurgião. Ambos os métodos têm igual chance de cura se feitos por cirurgiões experientes.

Quando a doença encontra-se espalhada para outros órgãos há ainda discussão sobre a necessidade da retirada do rim. Isto ocorre porque a cirurgia não é capaz de retirar todos os tumores. A chance de haver outros tumores muito pequenos para serem vistos é muito grande. Logo, caso essas pessoas fossem operadas outros tumores iriam aparecer logo em seguida. Nestes casos o tratamento deve ser feito com medicamentos, que irão funcionar tanto na doença do rim quanto na doença nos outros órgãos, uma vez que quando chegam ao sangue os medicamentos são capazes de chegar a todas as partes do corpo.

Mesmo assim a maior parte dos médicos recomenda a cirurgia de retirada do rim antes do início do tratamento com medicamentos. Ao contrário do acontece com outros tipos de câncer, existem estudos que mostram que os medicamentos funcionam melhor quando o tumor do rim é retirado. Além disso, com a retirada do tumor do rim, há um melhor controle da dor e do sangramento urinário.

O tumor de rim é considerado muito resistente ao tratamento com quimioterapia. Efetivamente, estes medicamentos não funcionam muito bem. No entanto, foi descoberto que o tumor de rim cresce estimulado por alguns fatores de crescimento, com os fatores de crescimento derivados dos vasos sanguíneos que ficam circulando no sangue. Logo, impedir que o câncer de rim perceba esses fatores de crescimento circulantes se tornou a principal estratégia de tratamento. Hoje o tratamento do câncer de rim se inicia com este grupo de medicamentos, como o Sunitinib (nome comercial Sutent) ou o Pazopanib (nome comercial Votrient). Ambos são medicamentos administrados em comprimidos. Mas é importante notar que é preciso ficar próximo ao seu médico durante o tratamento porque estes medicamentos também podem ter efeitos colaterais importantes, como a quimioterapia tem em algumas pessoas.

Um estudo muito importante publicado ano passado (veja aqui o estudo) mostrou que quando estes medicamentos param de fazer efeito, estimular o sistema imunológico é uma estratégia muito eficaz. Um estudo com o medicamento Nivolumab (Nome comercial Opdivo) mostrou que este tratamento é muito eficaz nesta situação. Este é o mesmo medicamento que se mostrou eficaz no tratamento do câncer de pulmão (veja aqui uma matéria sobre ele) e no tratamento do melanoma maligno da pele (leia aqui uma matéria). Este é um anticorpo administrado na veia, com menos efeitos colaterais que a quimioterapia normal.

Recentemente um outro medicamento se mostrou eficaz nesta doença, o Cabozantinib (nome comercial Cometriq), também um medicamento administrado em comprimidos e atuando nos receptores dos fatores de crescimento (veja aqui o estudo). A maior parte dos médicos reserva esse medicamento no terceiro “lugar na fila” de tratamentos.

Com o avanço do conhecimento sobre o câncer de rim já é possível que se faça o tratamento sem o uso da quimioterapia tradicional, reduzindo os efeitos colaterais e aumentando muito o controle dessa doença.

fonte: http://drfelipeades.com/2016/01/18/avancos-importantes-no-tratamento-do-cancer-de-rim-em-2015-nivolumab-e-cabozantinib/